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11 de julho de 2022
Achados encontrados nas escavações da reforma do antigo Convento do Carmo formam a coleção arqueológica mais antiga do Rio de Janeiro
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Claunir Tavares
Achados encontrados nas escavações da reforma do antigo Convento do Carmo formam a coleção arqueológica mais antiga do Rio de Janeiro

O espaço onde está localizado o antigo Convento do Carmo revelou, durante as obras de restauro do prédio, a coleção arqueológica mais antiga do Rio de Janeiro, com achados que remontam ao século 16, época em que os frades Carmelitas construíram o convento em 1720 onde residiram por 200 anos até a chegada da corte portuguesa em 1808.

Foi o que assegurou a historiadora e arqueóloga Jeanne Cordeiro, Coordenadora da Pesquisa Arqueológica durante as obras de reforma no Convento do Carmo, na palestra “A Restauração do Antigo Convento do Carmo e Seu Valor como Patrimônio Histórico Nacional” no terceiro encontro da série “Quintas do Carmo”, do Centro Cultural da PGE-RJ, na quinta-feira (7/7), que reuniu também a arquiteta Patrícia Gullo, Coordenadora do Projeto e da Obra de Restauração do Antigo Convento.

Segundo a arqueóloga, as escavações realizadas a 2 metros e 90 de profundidade desenterraram vestígios das primeiras casas construídas no local, antes mesmo da construção do próprio Convento e revelaram os primeiros assentamentos que se formaram em torno da atual Praça XV, cujos registros da vida cotidiana foram perdidos no incêndio que destruiu o Senado e a Câmara que funcionavam no Arco do Teles, em 1789.

A arquiteta Patricia Gullo destacou que as obras de reforma e restauro do prédio mostraram trata-se de uma construção simples, embora reúna no mesmo espaço características arquitetônicas de um convento e traços do estilo colonial. Mas que, ao longo do tempo, sofreu muitas intervenções, algumas espúrias, que descaracterizaram a arquitetura original.

Segundo a arquiteta, para chegar o mais próximo possível das características da época dos Carmelitas, precisou de fotos antigas e de sinais que a arqueologia foi apontando para mudar muitas vezes o planejamento da obra de restauro do prédio. Um exemplo, foi o trabalho de prospecção no quarto que serviu de aposento à D. Maria I, que revelou pinturas que os técnicos sequer sabiam que existia. Ou a tentativa de abrir um vão de porta para interligar duas salas, que acabou por revelar um sistema construtivo que era utilizado na Europa por conta dos terremotos, com vigas de madeira entrelaçadas nas paredes.

Patricia Gullo lembrou que o grande desafio durante as obras foi compatibilizar a busca para resgatar o esplendor do passado com a adaptação do espaço para uso futuro como Centro Cultural da PGE, biblioteca e salas de aula da Escola Superior de Advocacia Pública - Esap. Essas transformações, como ressaltou a arqueóloga Jeanne Cordeiro, foi a grande característica desta edificação ao longo de seus 400 anos.

O prédio surge associado à Igreja Nossa Senhora do Ó, de onde os Carmelitas partiram para construir o Convento ao lado. Durante os séculos 16 e 17 são construídos o primeiro e o segundo pavimentos. O terceiro andar só foi erguido no século 18. E a área de viver, com horta, curral, galinheiro e lugar de sepultamento vão mudando conforme a adequação do prédio a novos usos.

De acordo com a arqueóloga Jeanne Cordeiro, a análise das rochas encontradas nas primeiras casas erguidas no local, revelaram tratar-se de pedras de lastros de navios que vinham das Ilhas Atlânticas, provavelmente Madeira ou Cabe Verde. Quando chegavam ao Rio, esses navios jogavam essas rochas na praia em frente ao Convento e carregavam seus depósitos com produtos tropicais para voltar à Europa.

As palestrantes da série “Quintas do Carmo” foram apresentadas à plateia pelo Procurador-Geral do Estado, Bruno Dubeux, e pelo Procurador-Assistente do Centro de Estudos Jurídicos da PGE-RJ, Fabiano Magalhães.

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